
Nunca é demais lembrar: criatividade publicitária é originalidade + adequação + pertinência. E foi exatamente este último fator que faltou aos criativos Adriano Matos, Rodolfo Sampaio e Guilherme Jahara, além da agência DM9DDB, ao criarem peça para a WWF.
O anúncio, veiculado em jornal de São Paulo ainda não identificado, está gerando uma grande polêmica e muita briga entre as duas organizações. A WWF afirma que nunca pediu, nunca viu, nem tampouco aprovou a peça. A DM9 diz que foi chamada, trabalhou no
job, apresentou o anúncio e teve aprovação de "instâncias intermediárias" da WWF.
Mas toda esta celeuma está acontecendo porque a peça foi inscrita em um prêmio (seria fantasma?), vista por americanos e considerada impertinente por todos. O anúncio mostra um céu de Nova Iorque infestado de aviões e as torres gêmeas ainda de pé. O título diz: "O Tsunami matou 100 vezes mais pessoas do que o 11 de setembro. O planeta é brutalmente poderoso. Respeito-o. Preserve-o."
"Brincar" com temas polêmicos é muito perigoso porque pode ter efeito contrário, funcionar como anti-propaganda. O ataque terrorista ao World Trade Center está prestes a completar 8 anos. E ainda é um assunto muito delicado. Usá-lo como gancho criativo para qualquer coisa é, no mínimo, irresponsável. Se, como dizia a Pirelli, potência não é nada sem controle, criatividade não é nada sem pertinência.
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